E o inferno...
começa aqui dentro



























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Talvez você não seja mais aquela garota que acreditava em contos de fadas, seus planos mudaram, sua realidade mudou, você cresceu, aprendeu. Quebrou a cara diversas vezes, mas ainda existem coisas que você faz com a mesma inocência, com o mesmo jeito, com os mesmo erros. Daqui a alguns anos você vai esquecer tudo o que lhe agradava, os corações partidos serão apenas lembranças de que alguns dia você já foi adolescente. Viva para que amanhã possa se orgulhar, viva para si mesma, apenas viva. Victória, 13 anos.
1 day ago on 31 May 2012 @ 12:12pm + 431 notes
via doce-inverno (originally amargar)
Tu ta escrevendo fodasticamente.

Uau! Muito obrigada mesmo rsrs, nem sei como agradecer, fico boba.

2 months ago on 27 March 2012 @ 1:12pm

Minha Casa Interior Sombria

 27 de abril de 2000, 2 horas e 47 minutos, minha respiração é o único sinal de que ainda estou viva, fico perambulando pela minha casa interior sombria, nessas madrugadas incertas. A chuva cai janela afora, penso o quanto queria estar lá, sentindo a chuva cair sobre minha cabeça, isso me fazia sentir viva. Agora a lembrança do seu corpo morto nos meus braços, sem alma, sem vida, me atormenta de certa forma que a chuva já não me faz bem como antes. Ela me atormenta me corrói cada vez mais. Só eu e a culpa vivendo lado a lado nessa pequena casa, aonde eu não posso me afugentar dela, mesmo que não veja sua face, sinto sua presença, suas palavras me corroendo, dizendo sem parar “foi culpa sua”, nããããããããão, grito incansavelmente, como se meu psicológico pudesse ouvir e quem sabe acreditar. E mais uma vez a lembrança volta a me atormentar como se fosse de propósito. A pressão e a culpa me deixam em uma situação cada vez mais precária, como se eu me entregasse inteiramente a essa idéia maluca e doentia. Ouço palmas, as pessoas tentam me tirar da minha casa interior, mas não caio mais nessa armadilha que minha própria mente em estado de loucura criou. As portas e janelas se encontram trancadas, ninguém, nem mesmo uma fresta de luz passa por minhas grossas barreiras sombrias. Procuro respostas, procuro saídas. Não posso falar que não existe saída nem solução, pois existe. Uma que invade minha mente na mesma intensidade que as lembranças invadem também. Morte, morte, morte, diz meu ego interior mais machucado. Ele grita por socorro, por ajuda, grita por um alívio. Mas como todas as portas estão trancadas o único jeito de sair dali é morrendo. Todas as perguntas são feitas de novo, como se eu estivesse pronta para a resposta, mas não estou. Minha mente criou uma barreira tão forte que eu mesma tenho acesso limitado, como se essa mente não fosse tão minha. Chamaram-me de culpada e minha mente se convenceu de que a culpa era minha, talvez fosse. A angústia se torna cada vez mais aparente no meu estado físico e mental, e pouco a pouco ela começa a trancar minha respiração. Isso já não se torna a única coisa que me deixava viva. Uma dúvida surge, será que estou morta? Abro meus olhos e percebo que me encontro do lado de fora da casa, minha dúvida se esclarece, doeu menos do que agüentar a culpa te torturando durante dois anos. A casa com uma estrutura gasta, sinais de destruição são vistos facilmente. Encontro semelhanças entre a casa e eu. E como se ninguém estivesse vendo a casa cai, a chuva também começa a descer, a água pingando sobre minha cabeça como se fosse um castigo. A lembrança começa a me atormentar, o céu escurece e o clima muda. Estou revivendo tudo de novo, e quando percebo seu corpo morto esta em meus braços, e o meu grito interior começa a sair de lá de dentro. “Nããããããããão”, e meu corpo acorda, estou em meu quarto como sempre estive, foi apenas meu pesadelo particular me perturbando outra vez, afinal hoje era dia 27. Minha alma e minha mente já estão mortas, eles aguardam ansiosamente meu corpo, que insiste em continuar sendo torturado. E assim fico esperando eternamente a única porta de saída se abrir e toda essa tortura mental e rotineira acabar.

2 months ago on 27 March 2012 @ 12:58pm + 1 note

Minha adorável psicose

 Afundo-me dentro da minha mente perturbada, dentro da minha mente psicótica. Um lugar escuro, fechado pelo medo e pela escuridão, cercado por um campo de força impenetrável, em uma mente inatingível.

Será que já posso chorar ou ainda tenho que guardar essa angústia para mim mesma? A tristeza me consome, é como se ela já tivesse vida própria, como se ela comandasse minha vida sombria e sem sentido. Isso! Apague a luz, já me acostumei com a escuridão, não me reconheço. Me abaixo nos cantos mais sombrios e fico choramingando. Mesmo acostumada ainda tenho receio de encontrar alguma coisa lá.

 E quando já havia me convencido de que morreria naquele breu sem fim, uma lasca na parede foi quebrada, uma fresta de luz entrou naquele lugar. Eu como um bicho selvagem entrei em desespero, fui ver o que tinha do outro lado da parede. Pasmem! O egoísmo consumia o mundo de ponta a ponta, sem espaço para respirar, era uma angústia sem fim, uma bolha sem ar, literalmente um sufoco. Decidida afirmei que preferia viver na minha adorável psicose, em meu distúrbio mental particular, em meu pequeno mundo.

 Era capaz de viver ali para sempre, agachada em um canto escuro qualquer, choramingando. Mas ainda tinha que viver naquela bolha sem ar que chamavam de Planeta Terra. E cada dia que se passava eu permanecia mais dentro daquele quarto, depois de um tempo acostuma, eu já tinha “amigos”, não os via, apenas ouvia-os. Eles me dizem que é melhor viver onde eu vivo, e que existe um lugar ainda melhor.

 Agora minha respiração é o único sinal de que ainda estou viva, cheguei a ficar tanto tempo dentro do quarto que começaram a me chamar de louca, me deram injeções que me deixaram tonta e me levaram para um lugar onde as pessoas vivem dopadas e aparentemente calmas, quando na verdade seu interior grita desesperadamente por ajuda e não por remédios. Uma grande utopia de merda, um mundo grandiosamente hipócrita. Tinha dias em que chegavam a dar-me remédios de dia, à tarde e a noite. Como se eu precisasse.

 Eles dizem que o que eu faço não tem sentido, tem sentido, mas somente para mim. O ódio começa a me consumir cada vez mais, e assim como a tristeza e a obscuridade, ganham vida e começam mais uma vez a dominar-me. Os médicos dizem que vou melhorar, e que um dia talvez eu volte a minha plena sanidade mental.

 Meu quarto é todo branco, talvez eles queiram contrariar o lugar a qual eu estava acostumada. Olho meu reflexo e vejo quão perigosa eu me tornei não para o mundo, nem para ninguém, mas sim para mim mesma. É uma guerra sem fim, onde minha maior inimiga sou eu mesma. Vou para um lugar melhor, segundo meus “amigos”. Eles começaram a pedir-me para fazer coisas erradas, e depois de um tempo começaram a me assombrar, perseguir e a quase comandar meus atos. Não tenho mais segurança em minha própria mente. Chega! Já não consigo viver aqui, me chamam de louca, mas não percebem que eles são os loucos de continuarem vivendo nessa bolha sem ar angustiante. Vou para um lugar melhor além da minha adorável psicose, a morte.                               Victória Santos

2 months ago on 13 March 2012 @ 11:26pm + 1 note

Meu Enterro

Estava atrasada, não havia conseguido dormir nem por um segundo. As olheiras se juntavam com os olhos inchados, isso só piorava minha aparência. “O quê?” a frase se repetia em minha mente há 11 anos. Já era dia 27, e essa era a memória mais viva em minha mente, aliás, a única coisa viva dentro de mim. O ritual se repetia, todo mês, todo ano.

 Todo dia 27 acordava suada, aos prantos. Era meu pesadelo particular. Sonhava ou lembrava? Não sabia ao certo. Já havia feito psicoterapia para ver se resolvia, mas não adiantava, era uma lembrança impregnada em mim, e mesmo que eu tentasse não conseguiria,

 Cadê meu cigarro? Sinto falta da nicotina também. Nunca pensei que iria fumar ou beber, mas precisava depender de mais alguma coisa. Depois de 11 anos tentando esquecer, por que iria conseguir agora? Já não tentava nada, nem esquecer e muito menos viver. Não vivia, sobrevivia apenas. Alma eu já não tinha, ninguém sabia nem se importava.

 Minha memória é fraca, usei-a toda naquele dia. Sinto vontade de falar isso a alguém, mas quem iria me escutar? Apenas um papel em branco e uma caneta falhando me ajudavam. Quem sabe se eu falasse dividiria minha dor com quem escutasse.

 Era dia 27 de abril de 2001, estava atrasada, muito atrasada. O enterro já havia acabado. Não agüentava mostrar minha dor e muito menos ver que tinha outras pessoas sofrendo. Cheguei lá e o coveiro me disse “ei moça, o enterro já acabou” eu já sabia. Deixei minhas flores pretas em cima do caixão e minha corrente, achei que você precisaria de sorte na vida após a morte. Mas eu precisava voltar a viver. Eu sei que você havia partido, para sempre.  Ma eu sentia sua falta, eu sinto a sua falta, a cada segundo, a cada minuto, cada vez mais. É horrível porque eu não consigo mais viver.

 Descobri uma coisa naquele dia, apenas um corpo foi enterrado, mas duas almas estavam mortas.

                                                                          Victória Santos

2 months ago on 11 March 2012 @ 8:54pm + 2 notes

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

                                                       

                                          Augusto Dos Anjos

2 months ago on 11 March 2012 @ 3:26pm

accio-felicidade:

A IGNORÂNCIA é a sua nova MELHOR AMIGA! Paramore 

3 months ago on 26 February 2012 @ 2:44pm + 8,262 notes
via accio-felicidade (originally m-i-l-o-n-g-a)

vocabulosdosilencio:

Diário de uma mente suicida, oposta as ideias da vida. De acordo com o oposto do amor próprio.

Há tempos venho tentando ajustar minha vida, na verdade, não deveria chamar isso de vida. Há tempos venho na rotina. Na monotonia de sempre. Desculpe, mas não sei se devo levar isso tão a sério à ponto de fazer de tudo para isso não acabar. A verdade é que eu cansei… cansei de tudo isso. Cansei de importar tanto quando na verdade as pessoas não davam a mínima para nada que eu fazia. Se eu errasse, era como se o mundo inteiro estivesse em minhas costas e quando eu acertava era como se os olhares passassem desapercebidos diante de tudo o que eu fiz. Era como se o mundo gritasse pra mim: “Não importa o que você faça, você nunca, nunca será boa o suficiente.” Nada pra mim fazia mais sentido. O mundo ficou preto e branco e as cores foram embora com a felicidade de vocês. Mas isso não era pra ser sobre mim, sobre meu ponto de vista ser cheio de cores? Cheio da suposta vida a qual eu via todos falando? Isso deixou de ser possível pra mim já faz muito tempo. A cada dia que eu via o sol nascer, era um sacrifício levantar da minha cama e dar os passos mais pesados em direção ao banheiro mais próximo, onde vinha a pior parte do meu dia: Meu espelho. Cada parte dele me enchia com todos os defeitos que alguém poderia colocar em mim. Todas as partes mostravam alguém a qual eu não me orgulhava… e aí meu coração apertava. Aonde estava meu amor próprio afinal de contas? Eu nunca soube o que é me amar de verdade. Nunca soube o que era me achar sequer bonita uma vez que fosse. Eu não conseguia impedir que as lágrimas caíssem do meu rosto, não conseguia fazer com que elas parassem, e então eu mentia. Chegava a pior parte do meu dia. Eu me batia em qualquer canto pra ter como explicar meus olhos inchados para meus pais. E aí que eu chorava ainda mais. Aí que tudo desabava. Mas eu continuava mantendo o meu choro estável, continuava olhando em frente. O único problema e dúvida que eu tinha era: Quando isso ia acabar? Quando eu ia finalmente olhar pra frente e seguir com o que todos chamavam de felicidade? Eu não me via crescendo, não me via saindo do poço de lágrimas o qual já fazia muito tempo eu teria me afogado junto ao sofrimento dos últimos dias. E então eu simplesmente deixei meus pensamentos me levarem, aonde fosse o pior caminho, onde doesse tanto minha alma que era impossível de sair. Meus amigos sumiram de perto de mim. Eu deixei de comer… nada importava mais. Eu me rendi. Me rendi pra dor que me corroia aos poucos. E um dia, sentei na beirada de uma banheira depois de anos tentando me manter afastada daquele ideia suicida eu me afoguei. Assim como meu coração doía. A vontade de respirar era inconsciente, involuntária, mas eu simplesmente saberia, que se me deixasse levar por aquilo nunca haveria de ter fim tudo aquilo que eu passava assim que acordava. Eu saberia que teria que fingir ainda mais machucados para conseguir chorar, teria que fingir que estava tudo bem sem ter alguém pra desabafar, amigos para confiar, ou qualquer outra pessoa. E eu me desliguei. Fui subindo, do mesmo modo que me vi deteriorada ali, sozinha, me vi deteriorada por dentro, e isso já fazia tanto tempo, que me ver debruçada em minhas lágrimas era muito melhor do que passar a eternidade sofrendo, porque era isso que parecia ser o dia pra mim. Uma eternidade. E assim fui embora, deixando todos aqueles que me amavam, porém peço desculpas. Minhas sinceras desculpas. Sei que estou deixando uma família que me amava muito, sei que estou deixando umas mil pessoas que participavam do meu dia, ou só me viam, e sei que em muita gente irei deixar um vazio. Parece até egoísmo da minha parte – ou talvez seja – mas eu não posso imaginar nada pior do que o vazio e a dor que estava dentro de mim. Imagino que agora devam estar se sentindo culpados, mas por favor não se sintam. Eu fui embora por mim, e somente por mim. Não há mais nada o que possam fazer, eu lamento. Mas a única coisa que garanto é: O mundo não era pra mim já fazia muito tempo, só vocês não sabiam.” (vd♥s)

3 months ago on 24 February 2012 @ 9:36am + 168 notes
via vocabulosdosilencio (originally vocabulosdosilencio)
3 months ago on 23 February 2012 @ 10:21am + 2,205 notes
via unlov-ed (originally jkadz)

Doença sem cura.

verbosdiversos:

Cheguei em casa com os nervos saltando a pele, me lembrando das palavras horrorosas do Doutor que disse que eu não quero me curar.
Entrei na recepção do consultório vinte e cinco minutos antes da hora da consulta, e quando finalmente pude entrar, eu esperava respostas. Ou talvez eu só quisesse que ele me ouvisse. Afinal, ele diz ser meu terapeuta e pede para que eu diga absolutamente tudo o que me incomoda. 
 “Então, Doutor, isso é doença?” Eu perguntei depois de relatar a minha história gigantesca, que na tentativa de resumir deixei ainda maior. Ou ele não me ouviu, ou dormiu enquanto pediu para que eu falasse de olhos fechados, ou simplesmente não presta para a profissão. Ele disse que não quero me curar, mais ou menos umas quarenta vezes, e quando eu estava prestes a sair do consultório, ainda o ouvi dizer: “Eu falo sério, você vem a cada três meses, e eu sempre ouço a mesma história, e digo as mesmas coisas, e você volta sem nenhum progresso, e nem para dizer - Doutor, estou tentando.- E acha que eu posso te curar, quando você não procura saídas.” Eu precisei bater a porta, e esquecer que tive educação na minha infância, olhar com cara de desgosto para a recepcionista, e sair pisando duro pela rua. Plano de saúde fajuto, terapeuta incompetente. Eu só queria que ele dissesse que não é doença, que é normal. Mas não, ele me faz contar, de novo, pra dizer sempre a mesma estupidez. Olha, cheguei batendo a porta, não respondi ao cumprimento do porteiro, escancarei o alarme da portaria porque eu não quis fechá-la, e quando me olhei no espelho eu realmente parecia uma louca. 
Mas isso já faz algumas horas. Cheguei a algumas conclusões sozinha.
Eu disse ao Doutor que estava sentindo. Sentindo de ausência, de tristeza, de dor, de saudades, de medo, de alegria, de amor. Mas não foi bem por aí. Eu disse a ele, logo após a pergunta “O que está se passando por aqui?”, que a verdade é que se passa tudo. Um pouco de tudo. Disse a ele que eu amava as palavras, e queria tomá-las todas para mim quando via pessoas - como ele - desperdiçando-as em uma simples receita preta e branca. Eu disse a ele que quando ia almoçar em um restaurante e lia o letreiro luminoso, eu tinha vontade de escrever. Porque restaurante me lembra restaurar (por qualquer coincidência na sonoridade, ou outra coisa insignificante), e aí eu imaginava um casal, uma restauração acontecendo depois de uma briga que começou no restaurante. Eu pensei que fosse doença, e o meu plano de saúde miserável me oferece um terapeuta ao qual visito a três anos, que nunca me disse uma palavra útil sobre o que eu sentia. Também contei a ele que eu detestava o nome dele: “Eduardo”, porque toda vez que eu lia ”Doutor Eduardo” naquele jaleco meio amarelado, eu imaginava uma drástica história envolvendo uma mulher e um Doutor cafajeste. Eu contei a ele que eu gostava de sofrer para encarnar os personagens sofredores que eu criava, mas que eu sabia que no fim terminariam como um casal feliz. Eu não dormia a três noites, por pura insônia, e contei a ele que folheando o jornal da semana nessas madrugadas, eu tive dó das palavras bonitas que estavam perdidas em anúncios inúteis que ninguém lê. Eu sou assim mesmo. E o Doutor disse que eu não quero me curar. Só porque eu disse que não quero parar de amar o personagem bonitão que eu mesma criei, com todas as características faltosas nas pessoas ao meu redor, e que vou continuar chorando toda vez que eu for escrever mais um capítulo. Ele me interrompeu no meio do meu relato - coisa que terapeutas competentes não fazem - e disse “O seu problema é só com as palavras?”. Eu não acreditei quando ele disse isso, e prossegui ainda mais ofegante que eu amava as palavras assim como se elas fossem gente. Eu as abraçava, chorava com elas, criava com elas. Eu vivia junto delas e às vezes esquecia do meu mundo, do horário da consulta, por sinal. Doutorzinho petulante. Eu ainda disse a ele que gostava de amar, de todos os verbos e gostava de misturá-los em um poema sem nexo. Eu disse o que eu sentia quando via palavras sendo jogadas sem alicerce.  Eu tanto tentei, que além de tudo disse que eu amava a forma como amor combina com dor e como doer faz o amor ficar mais intenso.
Assumo que eu abri os olhos de levinho no meio do relato, e o vi fazendo um olhar de desinteresse enquanto olhava para a recepcionista que deixava os papéis da próxima consulta na mesa. Foi quase aí que eu desisti. Um pouco depois de dizer que eu não gostava do dicionário, pois ele não contém os sentimentos mais bonitos com as explicações merecidas, e também, que eu não gostava da minha professora de português que me ensinou a soletrar amor, que me fez ler O pequeno príncipe para uma análise sintática, e que lia trechos de Camões como quem lê receita de bolo. “Eu não gostava mesmo, Doutor.” Eu coloquei essa ênfase quase no fim, quando eu concluía que as pessoas precisam sentir mais as palavras que usam, porque as palavras são bonitas, são bem feitas, elas sentem, elas choram e quem faz um outdoor escrito “Nós deixamos o seu sorriso mais bonito. Esqueça a vergonha de sorrir, nós deixamos o seu sorriso mais branco”, não sabe que sorrir é muito mais que dentes, que tem palavras, que tem coração, que tem sentimento ali  por trás. E palavras, as palavras. Eu sinto às vezes por ver a palavra sorriso ser usada em uma propaganda de vendas ao invés de em um bilhetinho dizendo “Eu gosto do seu sorriso”, e foi só isso que eu disse ao Doutor antes de ele me dizer que eu não queria me curar. Mas me curar de que? Nem ele sabia.
Agora eu sei, depois de repensar, de andar na rua observando as palavras saltando pelos olhos e pela voz das pessoas felizes, como a de um gari que me desejou boa tarde, a de um mendigo que sorriu quando eu lhe dei uma moeda de vinte e cinco centavos. O Doutor não soube me dizer, mas agora eu já sei que isso tudo é coisa de gente maluca. Mas gente maluca de tanto ser feliz, maluca por sorrisos, por prazeres. Maluca pelas palavras, porque as palavras tem o poder de fazer os outros felizes. Não é bem uma escolha, eu cheguei à conclusão. Pode ser que eu esteja errada e que aquele Doutor Eduardo, esteja certo quanto a minha oposição à cura. Mas que seja. Concluo que não se escolhe nascer assim, e que todo mundo um dia ainda vai entender, vai se transformar. Se o Doutor está certo, eu prefiro estar doente. Que seja doença bem vinda então. 
Assumo aqui, que a minha possível doença, ou talvez a minha cura, é que amo demais as palavras e não gosto de não goste delas.
Estou sem terapeuta, mas li em algum lugar, que quem gosta de palavras e adora viver com elas, é quem vive feliz. Li também que costumam chamar essas pessoas de poetas. Então concluo: Minha doença é ser poeta. E Doutor, eu não quero me curar.

Brenda Viegas

3 months ago on 6 February 2012 @ 4:08pm + 175 notes
via verbosdiversos (originally verbosdiversos)
3 months ago on 6 February 2012 @ 12:42pm + 3,704 notes
via digitalkill3r (originally mackingonthemcheeses)

antitesedoamor:

Meu corretivo chegou ao final. Já não posso mais escrever e cometer erros, a não ser que minha página se encha de rabiscos e manchas. E é tão difícil, meu bem, ter de ser perfeita o tempo todo, não poder errar nem sequer uma vírgula… É dolorido saber que, a qualquer distração, minha caneta pode escorregar e provocar um arranhão indesejado, acabando com toda a arte da minha história. (…) Você aceitaria, meu amor, minha história contada em folhas de papel rasgadas e amassadas? Manchadas e arranhadas? Ou, como os outros, largaria tudo de lado e se cansaria de decifrar os códigos, ler as entrelinhas? Você me prometeria, meu anjo, que, mesmo que eu, por uma falta repentina de atenção, cometesse um erro bobo que pudesse deixar minha escrita meio ilegível, minhas palavras meio bagunçadas, você não faria com que todos os meus acertos anteriores se tornassem insignificantes? Porque, ah!, já me cansei dessa perfeição exigida em meus escritos, em minha vida. Ando precisando de alguém que me aceite como sou, com erros, machucados, ortografia errônea, passos tortos. Vem guiar minhas mãos ao escrever e meus pés ao andar. Vem comigo, me faz companhia, me arranca os espinhos do peito, me cura os arranhões, me faz ver que errar não é assim tão ruim quanto dizem. Vem, faz com que meu gosto pela escrita volte a ser como antes. E pela vida também, como preferir.

Raíssa César.

4 months ago on 30 January 2012 @ 10:07pm + 61 notes
via antitesedoamor (originally antitesedoamor)

Pulsos cortados doem menos que um coração partido.

4 months ago on 30 January 2012 @ 9:27pm + 49 notes
via eternizad-a (originally eternizad-a)
4 months ago on 29 January 2012 @ 12:02am + 1,254 notes
via junepars (originally junepars)
4 months ago on 15 January 2012 @ 7:17pm + 663 notes
via outros-devaneios (originally femmedelacreme-deactivated20120)